Evento internacional dedicado a fachadas é realizado em São Paulo
Zak World of Façades promoveu troca de experiências sobre avançadas soluções para envoltórios prediais
No dia 18 de março, foi realizado o evento Zak World of Façades, em São Paulo (SP). Trata-se de uma das mais renomadas conferências internacionais voltadas para fachadas arquitetônicas.

Crédito: RFM Engenharia
Em sua primeira edição no Brasil, o evento reuniu arquitetos, engenheiros, consultores de fachadas e incorporadores para trocar experiências sobre as mais avançadas soluções para envoltórios prediais. Durante a programação, projetos inovadores que estão redefinindo o skyline da maior metrópole do hemisfério foram abordados em apresentações individuais e debates dinâmicos.
Confira alguns destaques do Zak World of Façades:
O papel dos consultores na melhoria da funcionalidade e sustentabilidade
O painel “O Papel da Consultoria de Fachadas na Otimização da Funcionalidade e da Sustentabilidade” destacou a importância deste serviço. “Nós temos um papel muito forte da representatividade do nosso trabalho em cima do custo da obra. Isso às vezes é ignorado por alguns parceiros. Mas nós somos responsáveis pelo segundo ou terceiro maior custo da obra. Um elemento errado pode causar não só prejuízos materiais, como custos excessivos”, afirmou Igor Alvim, diretor técnico da QMD Consultoria.
Exigências de segurança
No painel “O impacto das fachadas: arquitetura, inovação e sustentabilidade a serviço do bem-estar”, Douglas Tolaine, Design Director da Perkins+Will em São Paulo, destacou a importância de considerar as exigências dos bombeiros no desenho da fachada. “A legislação de segurança contra incêndio exige a quebra de compartimentação, e essa diretriz pode ser incorporada ao projeto da fachada. Uma solução viável é criar camadas utilizando brises, um espaço intermediário e, por fim, o vidro”, sugeriu Tolaine.
De acordo com Tolaine, essa abordagem contribui para a eficiência energética, reduzindo o consumo de energia. Essas compartimentações são necessárias porque, em muitos casos, a viga periférica precisa ter uma dimensão significativa para atender às normas. Em São Paulo, por exemplo, essa medida é de 1,20 m, enquanto em outras regiões pode não ser obrigatória. Muitas vezes, ao olharmos para edifícios internacionais, como os de Nova York, nos perguntamos por que não se utiliza vidro do piso ao teto. A resposta não está na falta de visão dos arquitetos, mas sim nas restrições da legislação. E eu vejo isso como algo positivo, pois garante uma segurança adequada”, explica Tolaine.
Outro aspecto abordado por Tolaine foi um projeto que utilizou lajes maciças, eliminando a necessidade de vigas que poderiam interferir nas instalações e na infraestrutura do edifício. “Isso permite ao cliente ter grandes planos contínuos no teto, ampliando as possibilidades de layout e acabamento. Em parceria com fornecedores e engenheiros, foi desenvolvido um sistema de brises metálicos tensionados entre vigas e pisos. Inicialmente, os brises eram perpendiculares à fachada, o que demandava um grande número de elementos e elevava os custos. Junto com a engenharia, percebemos que ao inclinarmos esses brises — que possuem pouca massa e espessura — conseguiríamos manter a abertura necessária, reduzir custos e criar uma fachada mais dinâmica”, detalha Tolaine.
Tolaine também comentou sobre a tendência dos apartamentos com pé-direito duplo – como é o caso de um de seus projetos. “Nele, todos os pavimentos seguem esse conceito. A legislação em São Paulo muda constantemente, e hoje, espaços com pé-direito duplo funcionam como um potencial construtivo adicional para o cliente. No caso deste projeto, isso representa quase 1.000 m² a mais de área edificável. E esses 1.000 m² são patrimônio, um ativo que o cliente pode decidir como utilizar”, conclui Tolaine.
Fachadas e as mudanças climáticas
Rafael Lazzarini, diretor de sustentabilidade do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), falou sobre dois momentos importantes: primeiro, a influência dos elementos vazados na arquitetura brasileira, muito usados no modernismo entre as décadas de 1940 e 1960; depois, sua perda de relevância no final do século passado. “Esse enfraquecimento está ligado à crescente climatização dos edifícios, principalmente comerciais, e à adoção de fachadas inadequadas ao nosso clima, copiadas de países de clima temperado”, destacou Lazzarini.
O diretor de sustentabilidade também lembra que, ao longo dos anos, vimos fachadas envidraçadas sem bom desempenho térmico, com vidros de alta absortância ou refletividade e pouca proteção solar. “Com o tempo, a eficiência energética tornou-se um fator crítico. O custo da energia se desvinculou da inflação, tornando-se uma preocupação crescente, e novas certificações e normas passaram a exigir melhor desempenho das fachadas”, afirmou.
Hoje, estudos mais aprofundados foram retomados, utilizando carta solar, simulações computacionais e elementos de proteção. “Fizemos análises comparativas de diferentes configurações de vidro e sombreamento, avaliando impactos na iluminação natural, no ofuscamento e no desempenho térmico. Os resultados mostraram que combinar vidros adequados com proteções solares melhora significativamente o conforto térmico e lumínico, reduzindo a demanda e o consumo de ar-condicionado em até 15%. Além da economia operacional, isso permite dimensionar melhor os sistemas de climatização, trazendo ganhos financeiros e ambientais. Por fim, é essencial entender a relação entre vidro, proteção solar e potência do ar-condicionado para otimizar o desempenho energético dos edifícios. Dados globais mostram que a demanda por energia cresce proporcionalmente ao aumento da temperatura, tornando indispensável o uso de soluções eficientes para evitar sobrecarga no consumo futuro. Se não priorizarmos fachadas bem planejadas, enfrentaremos desafios energéticos cada vez maiores no Brasil”, concluiu Lazzarini.
Vídeo completo da Zak World of Façades:
Fontes
Igor Alvim é diretor técnico da QMD Consultoria.
Douglas Tolaine é Design Director da Perkins+Will em São Paulo.
Rafael Lazzarini é diretor de sustentabilidade do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).
A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.
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