Brasil não é 100% imune a sismos e precisa se proteger
Por pressão internacional, primeira norma técnica sobre o tema só surgiu em 2006. Estado do Acre é o mais vulnerável a tremores no país
Por pressão internacional, primeira norma técnica sobre o tema só surgiu em 2006. Estado do Acre é o mais vulnerável a tremores no país

No Brasil, o maior abalo sísmico já ocorrido chegou a 6,2 na escala Richter. A área atingida foi o norte do Mato Grosso, em 1955, e, como a região era inabitada, não houve maiores danos. Apesar de constatado o risco de que o país não é totalmente imune a terremotos, a primeira norma técnica a tratar de sismos só foi publicada em novembro de 2006. Trata-se da ABNT NBR 15421 – Projeto de estruturas resistentes a sismos – Procedimento. Para o engenheiro civil Fábio Wosniak, que recentemente palestrou na 23ª Semana da Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná, a resistência brasileira em aceitar que o território nacional tem regiões vulneráveis a tremores custou ao país quase um século de evolução tecnológica sobre o tema.
Segundo o especialista, nações que têm fronteira com o Brasil estão muito mais avançadas em projetar estruturas adequadas a esse tipo de risco. Um exemplo é o Peru, que possui códigos sobre sismos que acompanham as tecnologias japonesas. No país, a própria normalização sobre sismos só surgiu por causa de pressões internacionais. “Foi praticamente exigido que o Brasil tivesse uma norma técnica sobre o tema, porque, como a engenharia se tornou globalizada, era necessário que o engenheiro brasileiro tivesse esse conhecimento”, explica Wosniak. “Antes, havia o senso comum – e ainda há – de que sismos não ocorrem aqui. Por isso, grande parte das escolas de engenharia do país nunca se preocupou em ensinar como construir estruturas sob essas condições. Hoje já existem disciplinas”, completa o engenheiro.
No Brasil, apenas estruturas especiais, como hidrelétricas e usinas nucleares, possuem projetos dimensionados para suportar abalos sísmicos. No entanto, há um estado em que essa atenção deveria se voltar também para as edificações. Trata-se do Acre, que faz fronteira com o Peru e, por isso, encontra-se em uma zona 4 de riscos sísmicos. A classificação é a mesma para o Peru e para a Bolívia, o que exigiria que estruturas como pontes, viadutos, fundações e pilares de edifícios recebessem tratamento especial para conter pontos que dissipassem a energia causada por um eventual tremor, o que, no entanto, não ocorre. “Riscos de sismo devem influenciar nas obras. Quanto mais rígida a estrutura, mais intensamente ela vai sofrer com os abalos”, explica Wosniak.
Japão e EUA: referências
A escala Richter vai de 0 a 9. Para cada ponto, há uma medição diferente para detectar a energia liberada pelo sismo. No caso de um tremor que chegue a 6, a energia que chegará na superfície é 32 vezes maior que o grau do abalo. Já um terremoto com escala 7, libera mil vezes mais energia. O 9 chega a um bilhão a magnitude da energia que se propaga para a superfície. O estudo aprofundado dos terremotos fez com que Japão e Estados Unidos desenvolvessem a engenharia sísmica, a qual se tornou referência para o resto do mundo. “Tudo o que há de conhecimento hoje está baseado em normas e estudos destes dois países. As pesquisas causaram reduções drásticas no número de vidas perdidas em terremotos”, conclui o palestrante.
Entrevistado
Engenheiro civil Fábio Augusto Wosniak, especialista em projeto de estruturas resistentes a sismos (com base em palestra apresentada na 23ª Semana de Engenharia, promovida pelo Instituto de Engenharia do Paraná)
Contato: contato@wosniakengenharia.com
Crédito Fotos: IEP e Reuters
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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